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Imprensa - Clipping
Revista VENCER!
Administrador de Números
[Edição 64 - Dezembro de 2004]
Autora: Heloísa Noronha
A carreira de contador passa por transformações significativas e se consolida como uma profissão cada vez mais IMPORTANTE E RESPEITADA.
Há bem pouco tempo, o contador era, na mentalidade de várias pessoas, confundido com o despachante. Mas graças a uma série de fatores - mudanças na legislação tributária brasileira, aumento do número de eventos do setor e a própria globalização - têm contribuído para que essa confusão seja desfeita.
Não pretendemos, aqui, tirar o mérito ou diminuir a importância das atribuições do despachante: providenciar a tramitação de documentos (muitos deles gerados pela própria contabilidade) junto às repartições e órgãos públicos. Mas a carreira de contador possui outras e diferentes atribuições como planejar, coordenar e controlar compras, vendas, investimentos e aplicações de uma empresa (e até de uma pessoa física), permitindo que se tenha uma visão precisa do patrimônio. Além disso, esse profissional interpreta eventos econômicos e fornece informações para que os clientes possam tomar as melhores decisões na direção de seus negócios e cuida dos pagamentos de tributos.
Atualmente, existem cerca de 55 mil escritórios de contabilidade e aproximadamente 350 mil profissionais em todo o País, de acordo com a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon).
O mercado, segundo o professor Aderbal Nicolas Müller, coordenador do curso de Ciências Contábeis da FAE Business School, em Curitiba (PR), oferece chances crescentes. "Temos no Brasil mais de 6 milhões de empresas com menos de 500 mil profissionais na área, ou seja, há boas oportunidades para quem souber procurar", diz. "O setor público também é um grande empregador, com concursos em diversos segmentos que envolvem auditoria, fiscalização, tribunais de contas e contabilidade dos órgãos. Vale a pena ressaltar também que o contaor pode atuar como contador, controller, auditor, empresário, professor e escritor, entre tantas outras modalidades."
Seja em uma microempresa ou em uma multinacional, sempre haverá a necessidade de controlar as contas a pagar e a receber, os estoques, as vendas, o fluxo de caixa etc. Assim, pela alta abrangência da atividade, recém-formados e veteranos encontram emprego em diversos setores de atuação, tanto em pequenos escritórios quanto em grandes organizações.
REMUNERAÇÃO
Evidentemente, o mercado de trabalho é mais generoso nas regiões onde há uma maior concentração da atividade econômica - caso de São Paulo.
Na região Sul, as atividades do Mercosul são as principais responsáveis pela demanda de pessoas especializadas no assunto, principalmente nas empresas exportadoras e importadoras. Os salários, obviamente, variam conforme o tipo de empresa, mas a faixa média de uma de grande porte é de R$ 5 mil a R$ 8 mil. Em termos de remuneração, o setor que paga melhor é o de auditoria.
Aderbal ainda chama a atenção para a possibilidade de se trabalhar por conta própria, uma tendência em que, dependendo do volume de trabalho, é possível alcançar uma boa renda mensal. "Mas isso requer doses de aptidão para o empreendedorismo e um certo cuidado com o perfil dos clientes, para evitar a frustração", sentencia.
As exigências em relação à profissão estão cada vez mais forres. Para obter o registro no Conselho Regional é preciso fazer um exame que comprove domínio dos conhecimentos na área. Com a entrada em vigor do novo Código Civil, em 2003, de acordo com os artigos 1.177 e 1.178, o contador passou a responder solidariamente perante terceiros pelos atos
dolosos que vem a ser praticados como responsável técnico.
"Por causa disso, tomou-se necessário muito mais rigor no exame da documentação apresentada pelo profissional para registro contábil. Há, ainda, a exigência de melhor qualificação do contador e seus assistentes contábeis para recusar documentação idônea e ter a máxima cautela para assinar balanços e declarações de renda", comenta o contador José da Rocha Pereira, expert em Administração Financeira e professor do Instituto Metodista Bennett, do Rio de Janeiro (RJ).
Segundo Pereira, que lançou recentemente o portal www.hiperservicos.com.br, com mais de 200 tentas ligados às consultorias trabalhista e tributária, agora é importantíssimo a análise dos saldos das contas para que os relatórios contábeis reflitam com fidedignidade a verdadeira situação patrimonial, financeira e econômica da entidade. "Isso elevou a qualidade dos serviços contábeis e conseqüentemente trouxe uma maior dignidade profissional ao contabilista. Essa nova condição afastou um grande número de profissionais que simplesmente assinavam as demonstrações contábeis por preços aviltantes e melhorou o nível de remuneração daqueles que realmente cumprem com suas obrigações, seguindo o código de ética da profissão", destaca.
APRENDIZADO CONSTANTE
Para ser um bom contador, é evidente que se faz necessária a vocação e a habilidade de realizar associações lógicas e efetuar cálculos aritméticos com rapidez. No entanto, essa é uma profissão que demanda esforço e empenho por toda a sua trajetória. O primeiro passo, obviamente, é se inscrever num curso superior de Ciências Contábeis, ideal para conhecer a parte teórica, os ramos e suas aplicações e as linhas doutrinárias de diversos autores. Um estágio na área costuma ser o passaporte para fincar o pé no mercado de trabalho.
No entanto, o que vai pesar, de verdade, será a chamada educação continuada-em outras palavras, a especialização. "A pós-graduação é um diferencial imprescindível", avisa o professor Aderbal Nicolas Müller. "Uma dica: evite apostar no ecletismo e escolha uma pós numa área diferente da atuação em Contabilidade. A falta de titulação na própria área prejudica a pontuação em concursos e não conta muito no currículo", adverte.
Já José da Rocha Pereira aconselha ler diariamente todas as modificações das legislações trabalhista, previdenciária e tributária, assinar pelo menos um jornal especializado em negócios, navegar na internet pelos sites de atualização e se inscrever em workshops, palestras e cursos do setor. Os conselhos regionais, as associações de classe e os sindicatos costumam oferecer uma programação variada.
Um mestrado ou doutorado também são bem-vindos. "No mais, o contador deve agir com ética profissional e pessoal, atender com rapidez, solicitude e segurança nas respostas às demandas da clientela, cobrar honorários justos de acordo com a complexidade e a quantidade de trabalho e estar sempre atento às oportunidades e aos riscos da carreira", ressalta José da Rocha Pereira.
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