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Como fazer o orçamento anual da empresa?

Resposta rápida

O orçamento anual é montado em seis etapas: premissas escritas (mercado, preços, reajustes, tributos), receita por produto e mês, custos variáveis pela margem, custos fixos e pessoal, investimentos e financiamentos, e fluxo de caixa mensal. Para 2027, entra a CBS no lugar de PIS e Cofins (LC 214/2025). Depois de aprovado, é comparado todo mês com o realizado.

O orçamento anual é a tradução do plano da empresa em números, mês a mês: quanto vender, quanto gastar, quanto investir, quanto lucrar e quanto caixa sobra. Ele é montado em seis etapas, a partir de premissas escritas, e só funciona se for comparado com o realizado todo mês. Setembro e outubro são os meses de montar o orçamento do ano seguinte, e o de 2027 tem um ingrediente a mais: é o primeiro ano em que a CBS substitui PIS e Cofins, pela Lei Complementar 214/2025.

Etapa 1: escrever as premissas

Todo orçamento parte de hipóteses. Escrevê-las evita discussões depois e permite revisar o número quando a hipótese muda. As premissas mínimas são:

  • Mercado e volume: crescimento esperado por produto, canal e região.
  • Preço: reajustes previstos e data de aplicação.
  • Custos de compra: reajustes de fornecedores, câmbio quando houver insumo importado.
  • Pessoal: data-base e percentual estimado de dissídio, contratações e desligamentos, reajuste do salário mínimo quando afetar a folha.
  • Tributos: regime tributário do ano, efeitos da Reforma e da Lei 15.270/2025 sobre pró-labore e lucros.
  • Juros: custo da dívida atual e de novas captações.

Premissa sem fonte é difícil de defender e de revisar. Sempre que possível, ancore cada uma no histórico da própria empresa, em contratos ou em projeções públicas.

Etapa 2: projetar a receita

A receita é a linha que mais influencia o resto e a que mais costuma ser superestimada. A projeção deve ser feita por produto ou serviço, por canal e por mês, considerando a sazonalidade dos últimos anos.

Exemplo: uma empresa faturou R$ 6 milhões em 2026, com 40% da receita anual concentrada em novembro e dezembro. Uma meta de 12% de crescimento para 2027 leva a R$ 6,72 milhões, distribuídos mês a mês pela mesma curva sazonal, e não em doze parcelas iguais de R$ 560.000.

Vale construir três cenários, conservador, base e otimista, e aprovar o orçamento sobre o base, com plano de contingência para o conservador.

Etapa 3: custos variáveis e margem

Os custos e despesas variáveis são projetados como percentual da receita de cada produto: mercadoria, tributos sobre vendas, comissões, fretes, taxas. O resultado é a margem de contribuição mensal.

Para 2027, os tributos sobre vendas mudam de natureza para empresas do regime regular: PIS e Cofins deixam de existir, a CBS entra calculada por fora do preço, com crédito sobre as compras, e o IBS fica em 0,1% em 2027 e 2028 (Emenda Constitucional 132/2023, arts. 126 e 127 do ADCT; LC 214/2025). O ICMS e o ISS continuam até começarem a ser reduzidos, em 2029. As alíquotas de referência da CBS devem entrar como campo editável, porque dependem de fixação. O efeito no preço está no artigo sobre formação de preço com CBS e IBS.

Etapa 4: custos fixos e pessoal

Pessoal costuma ser o maior custo fixo. A projeção deve seguir cargo a cargo, com salário, encargos, benefícios, férias, 13º e o mês do dissídio. Os demais fixos (ocupação, sistemas, serviços, marketing) podem partir do ano anterior, com revisão linha a linha.

Base zero nas despesas administrativas

Uma prática útil é aplicar orçamento base zero só às despesas fixas administrativas: cada gasto precisa ser justificado do zero, e não pelo fato de ter existido no ano anterior. É onde costumam aparecer contratos esquecidos e serviços sobrepostos.

Etapa 5: investimentos e financiamentos

Investimentos em equipamentos, reformas, sistemas e abertura de unidades entram com mês, valor e forma de pagamento. Crescimento também é investimento: vender mais a prazo exige mais capital de giro, que precisa estar no orçamento.

Do lado das fontes: geração de caixa própria, novos empréstimos, amortização das dívidas existentes e aportes dos sócios. A distribuição de lucros prevista também entra aqui, respeitando o que a empresa precisa reter para crescer.

Etapa 6: resultado e caixa mês a mês

As etapas anteriores se consolidam em dois relatórios mensais: a DRE orçada, no mesmo formato da DRE gerencial, e o fluxo de caixa orçado. Os dois são diferentes porque vendas a prazo, estoques, investimentos e parcelas de dívida afetam o caixa em datas diferentes do resultado.

O orçamento só está pronto quando o caixa projetado fica acima do mínimo em todos os meses. Se algum mês fica negativo, é preciso rever premissas, prazos ou financiamento antes de aprovar.

Quem participa da construção

O orçamento funciona melhor quando cada responsável de área projeta os números que vai gerir, dentro das premissas definidas pela direção. O comercial projeta vendas, as operações projetam custos e equipe, e o financeiro consolida, testa o caixa e devolve as inconsistências. Um orçamento feito só pelo financeiro tende a ser ignorado por quem executa; um feito só pelas áreas tende a somar pedidos sem caber no caixa.

Aprovação e acompanhamento

Nas sociedades limitadas, cabe aos sócios aprovar as contas da administração (Código Civil, art. 1.071, I), e o orçamento costuma ser aprovado na mesma lógica, em reunião com ata, especialmente quando há sócios que não participam da gestão. Depois da aprovação, o acompanhamento segue uma rotina:

  1. Mensal: realizado contra orçado, linha a linha, no painel de indicadores.
  2. Explicação dos desvios relevantes, com causa e responsável.
  3. Semanal: caixa pela projeção de 13 semanas, que traduz o orçamento para o curto prazo.
  4. Trimestral: reprojeção do restante do ano, mantendo o orçamento original como base de comparação.

Erros que tiram a utilidade do orçamento

  • Receita em parcelas iguais, sem sazonalidade.
  • Orçamento só de resultado, sem caixa.
  • Premissas não escritas, que ninguém sabe revisar.
  • Aprovação em março, quando o ano já começou.
  • Nenhuma comparação mensal com o realizado.

Os números de partida e o fechamento mensal vêm da contabilidade. A construção das premissas, dos cenários e da rotina de acompanhamento é trabalho de gestão, em que a consultoria ajuda a estruturar o processo nos primeiros ciclos, até a empresa rodá-lo por conta própria.

Perguntas frequentes

Quando começar o orçamento do ano seguinte?

Entre setembro e outubro, para aprovar até dezembro. Assim, as metas e os limites de gasto valem desde janeiro, e há tempo para ajustar premissas com os números do terceiro trimestre.

Orçamento base zero ou incremental?

O incremental parte do ano anterior e ajusta; é mais rápido. O base zero exige justificar cada gasto do zero; é mais trabalhoso e útil quando os custos cresceram sem controle. Muitas empresas combinam os dois, usando base zero só nas despesas fixas.

O que muda no orçamento de 2027 por causa da Reforma Tributária?

A partir de 2027, PIS e Cofins são extintos e a CBS passa a ser cobrada, com crédito amplo para empresas do regime regular. O IBS fica em 0,1% até 2028. Preços, custos de compra e caixa precisam ser revistos com essas regras.

O que fazer quando o realizado se afasta muito do orçado?

Explicar a causa, decidir ações e, se as premissas mudaram de forma relevante, fazer uma reprojeção para o restante do ano, mantendo o orçamento original como referência.

Fontes

Conteúdo informativo, revisado na data indicada. Leis e valores mudam; antes de decidir, confirme o seu caso com um especialista.

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