Desde 1968 · atendimento digital em todo o Brasil (21) 3804-8150Área do cliente
Hiper Serviços de Apoio Empresarial

Vale a pena esperar mais um ou dois anos para se aposentar?

Resposta rápida

Depende do ponto de equilíbrio. Cada ano a mais soma 2 pontos percentuais ao coeficiente (art. 26 da EC 103/2019), mas custa 13 parcelas não recebidas. Esperar tende a compensar quando dá acesso a uma regra melhor, como o pedágio de 100%, ou quando os novos salários elevam a média de forma relevante.

Esperar um ou dois anos para se aposentar vale a pena quando o aumento do benefício recupera, em prazo razoável, o que se deixa de receber durante a espera. Cada ano a mais de contribuição soma 2 pontos percentuais ao coeficiente nas principais regras da EC 103/2019, mas cada ano de espera custa 13 parcelas do benefício. Em muitos casos a conta favorece sair logo; em outros, esperar abre acesso a uma regra melhor.

O que muda no benefício quando você espera

Três fatores mudam com a espera, e em direções que podem se compensar:

  • Coeficiente: sobe 2 pontos percentuais por ano completo acima de 20 anos de contribuição (homens) ou 15 anos (mulheres), pelo art. 26 da EC 103/2019.
  • Média: os novos salários entram na média de todos os salários desde julho de 1994. Se forem maiores que a média atual, ela sobe; se forem menores, ela cai.
  • Regra disponível: em um ou dois anos, a pessoa pode cumprir outra regra, como o pedágio de 100%, que paga 100% da média.

Do outro lado estão os meses sem benefício e, para quem não tem emprego formal, as contribuições que precisarão ser pagas durante a espera.

Exemplo: esperar só pelo coeficiente

Exemplo: um homem de 65 anos, com 36 anos de contribuição e média hipotética de R$ 6.000,00, já pode se aposentar. Para isolar o efeito do coeficiente, considere que a média fique igual e ignore os reajustes anuais.

CenárioCoeficienteBenefício mensal
Aposentar agora (36 anos)92%R$ 5.520,00
Esperar 2 anos (38 anos)96%R$ 5.760,00

A diferença é de R$ 240,00 por mês, ou R$ 3.120,00 por ano contando o 13º. Durante os 2 anos de espera, ele deixa de receber 26 parcelas de R$ 5.520,00, um total de R$ 143.520,00. Dividindo esse total pela diferença anual, o ponto de equilíbrio fica em cerca de 46 anos de recebimento. Nesse exemplo, esperar apenas pelo coeficiente não compensa.

A conta do ponto de equilíbrio

Some o que deixará de receber durante a espera e divida pela diferença anual entre os dois benefícios. O resultado é o número de anos que o benefício maior leva para empatar. Compare com a expectativa de sobrevida na sua idade: se o ponto de equilíbrio passar dela, a espera tende a não compensar.

Exemplo: esperar para entrar em uma regra melhor

A conta muda quando a espera dá acesso a um coeficiente maior. Exemplo: um homem que tinha 32 anos de contribuição em 13/11/2019 e contribuiu até o fim de 2020, somando 33 anos. Se voltar a contribuir em 2026, aos 61 anos, completa 35 anos em 2028. As regras de idade progressiva e de idade ficam disponíveis quando ele fizer 65 anos, em 2030, com cerca de 37 anos de contribuição e coeficiente de 94%. O pedágio de 100% exige 38 anos (35 + 3 que faltavam em 2019) e chega em 2031, com coeficiente de 100%.

Cenário (média hipotética de R$ 6.000,00)CoeficienteBenefício mensal
Idade progressiva em 2030 (37 anos)94%R$ 5.640,00
Pedágio de 100% em 2031 (38 anos)100%R$ 6.000,00

A diferença é de R$ 360,00 por mês, ou R$ 4.680,00 por ano com o 13º. O ano de espera custa 13 parcelas de R$ 5.640,00, total de R$ 73.320,00, mais as contribuições desse ano. O ponto de equilíbrio fica em cerca de 16 anos, bem mais perto da expectativa de sobrevida aos 66 anos do que os 46 anos do primeiro exemplo. Nesse caso, esperar pode fazer sentido, e a decisão depende da saúde, da renda durante a espera e do custo de contribuir até lá.

Quando esperar tende a compensar

Esperar tende a fazer sentido nestes casos:

  • a espera dá acesso ao pedágio de 100% ou a outra regra com coeficiente bem maior;
  • a pessoa continua empregada, com salário acima da média, e a contribuição é descontada na folha;
  • faltam poucos meses para completar mais um ano cheio de contribuição, que soma 2 pontos percentuais;
  • a pessoa quer que a média fique mais perto do teto e está contribuindo sobre salário alto.

Quando esperar tende a não compensar

Em geral, a espera pesa contra nestes casos:

  • o único ganho é o acréscimo de 2% ao ano, como no primeiro exemplo;
  • a pessoa está sem emprego e teria de pagar contribuição do próprio bolso sobre valor baixo, o que pode reduzir a média;
  • há problema de saúde que torna incerto o horizonte de recebimento;
  • a pessoa já passou do teto no coeficiente e na média, e os anos extras não mudam o valor.

Aposentar e continuar trabalhando

Uma alternativa frequente é se aposentar assim que possível e continuar trabalhando. A lei permite, com duas exceções: a aposentadoria especial, se a pessoa permanecer em atividade nociva, e a aposentadoria por incapacidade. O aposentado que trabalha continua contribuindo, mas, pelo art. 18, § 2º, da Lei 8.213/1991, essas contribuições não aumentam o benefício. O STF considerou inviável a desaposentação e a reaposentação no Tema 503.

O texto sobre aposentado que continua trabalhando detalha essa situação.

Como decidir com segurança

A decisão pede três números lado a lado: o benefício estimado em cada data possível, o total que deixa de ser recebido em cada espera e o custo de contribuir até lá. Com isso, o ponto de equilíbrio de cada cenário fica claro. Os valores dos exemplos acima são ilustrativos e não representam previsão de benefício: o cálculo oficial é feito pelo INSS na data do pedido, com o histórico do CNIS e os índices vigentes.

Os fundamentos do cálculo estão no texto sobre média e coeficiente, e as regras de saída, no texto sobre o pedágio de 50% e de 100%.

Perguntas frequentes

Quanto aumenta a aposentadoria por ano a mais de contribuição?

Nas regras de pontos, idade progressiva e idade, 2 pontos percentuais da média por ano completo acima de 20 anos (homem) ou 15 anos (mulher). A média também pode subir ou cair com os novos salários.

Posso me aposentar e continuar trabalhando?

Pode, exceto na aposentadoria especial em atividade nociva e na aposentadoria por incapacidade. As contribuições feitas depois da aposentadoria não aumentam o benefício.

Esperar pode reduzir a aposentadoria?

Pode, se os salários dos anos seguintes forem menores que a média atual, por exemplo após uma demissão. Nesse caso, a média cai e pode anular o ganho do coeficiente.

O que é ponto de equilíbrio da aposentadoria?

É o tempo que o benefício maior leva para recuperar o que deixou de ser recebido durante a espera. Divide-se o total não recebido pela diferença anual entre os dois benefícios.

Fontes

Conteúdo informativo, revisado na data indicada. Leis e valores mudam; antes de decidir, confirme o seu caso com um especialista.

Fale com a Hiper Prev.

Se a sua situação tem detalhes que um texto não cobre, conte para a equipe da linha.

WhatsApp